domingo, 13 de Maio de 2007


A propósito dos 90 anos das Aparições de Fátima, gostaria de deixar aqui um voto laudatório aos dons proféticos da finada Irmã Lúcia, baseado, nomeadamente, no 2º segredo: a Conversão da Rússia.

De facto, a Rússia converteu-se!!!!! Converteu-se num antro de miséria, corrupção, pedofilia, escravatura, prostituição, poluição e poder mafioso. Coisas, todas elas muito christãs e devotas.
Irornia das ironias, beneficiando da queda do regime comunista e da libertade de culto, a Igreja Ortodoxa floresceu da forma mais agressiva possível às hostes vaticanas - a cereja em cima do bolo!!!

Não sei se seria bem isto que a Virgem tinha em mente, quando confiou os segredos à Irmã Lúcia...

5 requisitos para falar de cousas christãs e conceder perdões do mesmo theor


1º - Pôr a cara mais infeliz possível, como se carregasse às costas todos os pecados do mundo.

2º - Inclinar a cabeça para a direita (para a esquerda é pecado), levemente tombada para trás, como se contemplasse no horizonte um qualquer fenómeno celestial.

3º - semi-cerrar os olhos em jeito de carneiro-mal-morto.

4º - Falar baixo e pausadamente, de modo a que o discurso seja constantemente interrompido por suspiros (contidos, claro).

5º - Manter a todo o custo um leve sorriso do género sou-a-pessoa-mais-infeliz-deste-mundo-mas-nada-importa
-porque-vou-para-o-céu-e-vocês-vão-para-o-inferno-que-se-lixam.

- Afinal eram 6 -

6º - colocar as mão sobre o peito e, se possível, acariciar um cruxifixo ou uma medalha de um santinho que, por ventura, pendam do pescoço.

domingo, 15 de Abril de 2007

Diabo


Será muita imaginação de repórter, ou foi o diabo que o meteu lá para nos confundir!?

segunda-feira, 5 de Fevereiro de 2007

Bracinhos de borracha e ketchup...


Como todos nós sabemos, os fundamentos do "Não", são concordantes com a doutrina da Direita que, por sua vez, é essencialmente barroca. Não vou perder tempo a explicar o que isto significa, somente que, ao ser barroca tem, forçosamente, de seguir um padrão ritualístico. A Igreja assegura, por conseguinte esta avidez semiótica e ritual, já que todas as outras fontes se foram esgotando ao longo do tempo. Ou seja, já não são capazes de impôr o respeito e, acima de tudo, reverência, só porque existem e mostram que existem.
Assim, fica explicado o forte pendor religioso do "Não" que, mais concretamente e de forma desdobrada, significa: "Não posso morder a mão que me alimenta!".
Posto isto, resta explicar o porquê desta intransigência relativamente à I.V.G. que, como veremos, tem várias motivações:

1- Bíblica: "Multiplicai-vos uns aos outros"; "Não matarás";

2 - Sexual: Impôr uma moral sexual repressiva;

3 - Social: Impedir a disposição do próprio corpo; Gerar miséria para oferecer caridade; Elevar a ignorância para reinar sobre todos.

Relativamente ao primeiro ponto, todos sabemos que a Bíblia é um livro escrito ao longo de séculos, por várias pessoas. Por este motivo, é contingente, não pode ter uma interpretação além da pessoal e, onde se lê: "Não matarás", um pouco mais à frente, pode ler-se: "Ordeno-te que pegues no teu exército e mates homens, mulheres, crianças e animais, para que não reste vivalma nessa cidade".

A religião, sobretudo a católica, sempre procurou impôr uma moral sexual à sua imagem e semelhança, ou seja, castrada. Tentam obrigar os outros a passar pelas suas frustações sexuais decorrentes do celibato, sabe Deus mantidas a que preço. Ainda propósito da moral sexual é importante reflectir sobre o conceito "inocente" aplicado às crianças.
Mas afinal são inocentes do quê!? São inocentes do pecado dos pais ao gerá-las, o pecado original. Uma criança não é inocente nem culpada, é somente uma criança.
Convém ainda não esquecer que boa parte dos abortos se fazem com base neste argumento. O sexo é pecaminoso e moralmente reprovável antes do casamento pelo que, dificilmente, as famílias aceitam o fruto destas relações. Nunca irei esquecer aquela colega da Serra da Estrela que foi espancada pelo pai quando lhe comunicou que estava grávida. Os mesmos beatos que dizem que o aborto é um atentado contra a vida, espancam as filhas porque estão grávidas!

Por fim, a motivação mais importante, a social. Por mais voltas que demos, a maioria dos seres humanos só possui mesmo o corpo, do qual deveria poder dispôr livremente. Ora, havendo pelo menos uma coisa sobre a qual não têm controle, rapidamente arranjaram forma de lhe pôr a mãos, quer seja com a dita moral sexual reperessiva, quer com a determinação do número de filhos que daí pode advir. Ou seja, a lógica perversa de cercear as relações sexuais com o número de filhos: os filhos são o "contraceptivo" do sexo.
Por outro lado, com o tipo de sociedade desigualitária (que a Direita apoia tácita ou declaradamente) que temos, é impossível haver recursos suficientes para todos. Ora, com um aumento demográfico, haverá sectores sociais a ser lançados na miséria de modo a entrar aqui, sorrateiramente, a entidade caridade.
A caridade não tem como finalidade retirar ninguém dessa miséria, apenas serve para que nos mantenhamos vivos e eternamente agradecidos. Então, se somos agradecidos, faremos o possível para que nos estendam a mão novamente, até se tornar num ciclo vicioso.
Nunca ninguém viu a Igreja ou a Direita exigir trabalho justo e bem remunerado para todos, pois não!? Claro que não, porque isso implicaria mexer nos seus próprios bolsos usurpadores.
No dia em que, a troco de uma verdadeira penalização do aborto, obrigassem os patrões a sustentar e a educar condignamente os filhos dos trabalhadores, certamente que os mesmos que hoje defendem o "Não" viriam para a rua defender o aborto obrigatório entre a prole dos seus assalariados.
Além do mais, não tenhamos ilusões, eles apesar de não o admitir, não apoiam qualquer tipo de aborto, inclusivé por malformação do feto ou violação. Nunca nos podemos esquecer de outro conceito aberrante que se chama "vontade divina". Têm é a consciência de que se o fizessem, rapidamente dariam a vitória ao "Sim".
Por fim, não será necessário referir que a miséria é a mãe da ignorância e esta ignorância é o verdadeiro "ópio do povo".


Resumindo, a tão defendida "Vida" jamais se irá confundir com "condições de vida" e, acaba forçosamente quando nascem as criancianhas, que se quer ranhosas, famintas e pobrezinhas para que alegremente recebam migalhas.

domingo, 21 de Janeiro de 2007

Aparte os palavrões... É brilhante!!!


"MOMENTO NO TENGO EL COÑO PA RUIDOS

Estou tão farta do tema do aborto, das merdinhas hipócritas dos lambe-fetos, da puta da altivez destas gajas que sacam os filhos deficientes em caminhadas pela vida para mostrar às cabras hereges quão gratificante é ser mãe, do eu nunca o faria berrado por pitinhas de treze anos com os olhos regados em sangue à porta da catequese, de que umas barbies recauchutadas armadas em católicazecas da paróquia de Santa Isabel que já nem sem lembram como é que é se fazem filhos me chamem descompensada, assassina, papa-fraldas, bruxa e comunista só porque não tenho medo nem vergonha de dizer sim, eu estou de acordo, mas tão farta do discurso condescendente de quatro caralhinhos que têm imensa pena das desgraçadas que abortam (mas só das que são apanhadas porque as vacas que ficam à solta, essas Deus já as castigará), das alucinações jurídico-mentais da «Associação de Estudantes pela Vida, mas só a nossa» do ano zero da Católica que lá porque tiveram três meses de Introdução ao Direito para analfabetos existenciais pensam que têm um lugar garantido no Tribunal Constitucional, mas tão fartinha destes pirosos cheios de deus que bem eram capazes de mandar mais de metade do país para a fogueira, que até mete nojo.
Mas quem é que estes gajos se julgam que são? Enviados do senhor? Arcanjos da verdade e da vida? Quando os vimos à porta de clínicas clandestinas a chorar pelos mortinhos de dez semanas? Alguém se lembra de os ver em manifestações a exigirem celeridade nos processos de adopção, ou mais casas de acolhimento para mães adolescentes? E quando todas essas Vanessas ou Joanas Telmas aparecem mortas nas capas dos jornais, acaso ouviu-se as vozes destes amantes da vida exigindo mais controlo nos casos de abusos a crianças? Qual quê! Os gajos estão-se a cagar, querem lá saber se se aborta ou não em Portugal ou se uma miúda de cinco anos é violada pelo prédio todo! Do que eles gostam é deste papel de juizes no tribunal da Grande Moralidade neste país de brandos costumes de portas para fora. Cada cinco anos, o aborto, e depois será a eutanásia e mais tarde, quem sabe, a investigação com células mãe ou algum tema que lhes o dê tempo de antena necessário para mostrarem ao resto da patria pecadora que eles é que são os bons, o exemplo de virtude, os que garantem que este nosso Portugal de mulheres espancadas e casas pias não se perca pelo caminho do deboche e do desprezo pela dádiva divina. Eles estarão sempre aí, a controlar-nos o nascimento e a mortalidade, ansiando os seus quinze minutos de divindade, mas só se houver uma televisão por perto, tal qual todos os falsos profetas. E eles deveriam saber isto melhor que ninguém: serão recordados, sim, mas como os fanáticos que são."

Autoria:

http://rititi.com/

Barregãs


Esta semana, tive a oportunidade de ver alguns minutos do programa da RTP1 "Grandes Portugueses".
Aparte o facto de se tratar mais um "concurso" para chupar dinheiro em chamadas telefónicas, é evidente o absurdo da sua concepção. Como é possível José Mourinho e Pinto da Costa ombrearem com Pedro Nunes ou o Padre António Vieira?
Mais ainda, como se mede a importância de D. João II ou do Marquês de Pombal, ou a de Vasco da Gama e Afonso Henriques?
Será que a estratégia é produzir um imenso "Big Brother" com 8 séculos de diacronia?
Será que os portugueses sabem, pelo menos, quem são 10 da 100 personagens? Pela última galeria de escolhas, parece que se ficaram pela malta que aparece nas cartilhas da escola primária e pelos ídolos políticos. Ironia das ironias, Salazar está ao lado de Álvaro Cunhal e o resultado disto tudo vai acabar por ser demasiado embaraçoso, levando a produção a "ajeitar", Vasco da Gama "miss Portugal 2007".
Ainda a propósito disto, enquanto consultava alguma documentação medieval da câmara de Montemor-o-Novo, deparei-me com duas personagens que poderiam perfeitamente incluir-se n'Os Grandes Portugueses.
O primeiro, single, cujo nome se desconhece, era foreiro da dita câmara e viveu no séc. XV, tinha por alcunha Pica Putas.
O segundo, colectivo, aparece referido numa inquirição devido ao costume de frequentar "barregãs". Viveram também no séc. XV e são, nada mais, nada menos, que os clérigos desta localidade.
Como só se pode escolher um e, em atenção às "putas", coitadas, the winners are: clérigos de Montemor-o-Novo, com as suas barregãs!!!!

domingo, 14 de Janeiro de 2007

Paradoxos


Uma das coisas que ainda não percebi relativamente à campanha do Não, são os slogans que utilizam a palavra "Vida". Mas qual vida!? As plantas e os animais também são seres vivos, têm corações que batem. Se estendermos o conceito nascer-crescer-morrer, veremos que até os seres inanimados têm um "vida". Será que temos de deixar de comer bifes para prolongar a vida das vacas? Será que temos de deixar de comer ovos porque os mesmo são pintos em potência? Será ético tomar medicamentos que matam bactérias e vírus?

É óbvio que os ditos slogans dizem respeito à vida de embriões humanos e as perguntas que formulei não passam de retórica estúpida. No entanto, não será igualmente estúpido, numa campanha que diz respeito a embriões humanos, apresentar um argumento que mais parece adivinhar o fim de toda a existência orgânica no planeta?
Claro que não é estúpido!!! Chama-se a isso populismo selvagem e demagogia ordinária. A dupla maravilha, a que nos habituou o quadrante político que todos conhecemos... Aquele, estão a ver?...

Há outra coisa que me causa semelhante estranheza e prende-se com a posição da Igreja: sendo ela administrada essencialmente por pessoas que fizeram voto de castidade, que experiência e que moral têm para vir doutrinar acerca de assuntos relacionados com a reprodução humana?
Se me responderem que a têm, pergunto eu: Então, onde param os seus filhos ilegítimos? Ou será que os não têm porque resultaram em abortos (partindo do princípio que não usaram contraceptivos)?

Este silogismo não tem como objectivo ofender os ministros da Igreja Católica, apenas vedar-lhes, de forma lógica, a capacidade de aconselhamento nestas matérias (acreditando que, em geral, têm uma atitude sexual honesta para com os seus votos), porque em abono da verdade, não a têm.